20 março 2007

A nova Era

Quando penso que já tenho 24 anos assusto-me um bocado, lembro-me perfeitamente de certas coisas da minha infância, flashes que tive.
Lembro-me de olhar para um calendário que tinha escrito no cabeçalho “1988”, mas não me lembro de mais nada, não sei onde, nem com quem estava.
Lembro-me dos Verões de 3 meses, do Algarve com menos prédios (e só com um éle), da estrada antiga, dos sumos que bebia, dos meus primos de braçadeiras e dos amigos da praia.
Sabia exactamente o que tinha que fazer.
Mandavam e eu fazia, sem ai nem ui.
Eu adorava. Quando não mandavam nada, fazia o que queria, e sabia perfeitamente o que queria.
Depois começaram a despertar outros interesses. As amizades surgiam como estrelas cadentes.
“Lá vai ela, viste?”
Não! Iam e vinham.
Mas eram bons tempos, sabia exactamente o que fazer:
Passar com 10, beber umas cervejas, fumar um cigarro, jogar futebol e namorar.
Nada mais.
E assim foram passando os anos, depois veio a Universidade.
Em vez de uma cerveja, foram 10, os cigarros passaram a 1 maço, as futeboladas reduziram-se a matrecos e a namorada é outra, mas também já não é só uma.
Ia fazendo o que queria.
O problema foi quando comecei a trabalhar.
A vida de boémio agravou-se e tornei-me num bon-vivant profissional. Faço o que quero como se alguém me tivesse a proibir de fazer as coisas.
Luto por mostrar que sou livre quando ninguem disse que não era.
Chego tarde a casa como se quisesse mostrar que não estou de castigo.
A culpa disto é ter começado a ganhar dinheiro.
Estou na fase em que avalio o meu trabalho pelo dinheiro que gasto e não pelo mérito que tive.
Espero passar disto, mas acho que infelizmente é a mentalidade da nossa Sociedade.
É uma nova era, O Pato-Bravismo.

Mas eu tenho 24 anos e quero é descobrir a vida, o resto...
...o resto é conversa.

17 comentários:

filipe canas disse...

Joseph,

que boa descrição.

Mais uma vez são escolhas que nos aparecem pela frente, que se multiplicam.

Quando me despedia dos amigos que fiz em Inglaterra repeti exaustivamente a mesma coisa a cada um deles que me perguntava como me sentia: "adoro opções, odeio decisões".

Temos tantas opções que optar apenas por um caminho não é suficiente. Queremos mais. Queremos tudo.

Acho que é um bocado isso a nossa vida agora. O "bon vivantismo" é um bocado isso. Queremos ter namorada mas queremos ter outras.

Queremos viajar e sair de Lisboa no fim de semana mas não queremos abdicar de uma noite com os amigos.

Queremos ir sair e ir para o Algarve com os amigos.

Eu acho que são fases. Estou quase certo de que aquilo a que te referes é uma fase na nossa vida. São os nossos 24 anos.

Mas acho que não podemos deixar de pensar nisso. Porque, embora tenhamos 24, ainda temos muita vida pela frente.

Nêspera disse...

Faz-me lembrar um mail que me deram a ler.
Onde dizia que antes, no tempo dos nossos pais, as opções eram mais limitadas e por isso as escolhas eram naturais.
Se não havia opção as pessoas casavam, tinham filhos, trabalhavam a vida toda na mesma empresa e reformavam-se a seguir.
Hoje em dia não.
Aos 18 anos aparece-te o mundo pela frente e tu queres agarrá-lo pelos cornos. Já para não falar nas oportunidades profissionais que, não digam que não, nos aparecem pela frente.
Com tantas opções temos de decidir, e como são todas tão boas temos que optar por aquela que te hipoteca menos prazer (já não se fala na melhor hipotese, mas na mais "barata" em termos custo de oportunidade).
É assim a vida.
Já não é um pau de dois bicos, mas sim de três.

El-Gee disse...

É um pau de muitos bicos. Hoje, e pegando no que vocês os dois escrevem + o que eu próprio penso e que na vida real já debatemos até ao Desmaio, a dificuldade não está nas opções, estás nas escolhas.

Dantes havia poucas opções, e as pessoas lutavam pelo direito a ter opções. Como o direito à opção era tão difícil de conquistar, uma vez tendo a opção as pessoas escolhiam essa opção que cujo direito conquistaram.

Hoje, passámos ao nível seguinte. As opções estão ca, há que escolhe-las.

E muito difícil. Ainda para mais, dota-nos de responsabilidade. Já ninguém escolhe por nos.

A vida que levamos tem de ser aquela que queremos em determinado momento. Se for, não estará errada, nem que signifique rebentar 300 contos por mês.

Nêspera disse...

Nem que signifique abdicar de proveito futuro?

Ou opto pelo que eu quero agora e não amanhã, sabendo as implicações que vão ter nesse amanhã, ou, optar tendo consciencia que se não fizer o que me apetece hoje posso colher mais frutos no futuro.

Acho que a questão fundamental e o que nos permite avaliar melhor uma decisão é, sem duvida, a informação que temos na altura da decisão.

Quanto mais informados estivermos mais acertada sera a nossa escolha, falo em informação mas pode ser lida como a capacidade de antever os resultados futuros da decisão tomada hoje.

El-Gee disse...

Claro. Há que ponderar nao so o prazer de agora como o prazer futuro.

Se optares pelo prazer de agora, podes arrepender-te mais tarde mas serás feliz hoje. Ou se calhar nem te arrependes mais tarde.

Se optares pelo prazer futuro, abdicas do prazer agora pelo prazer depois, prazer esse que tambem nao está assegurado.

Penso que é necessário questionares-te sobre os teus valores fundamentais. Pergunta-te:

O que me faz feliz? Viagens? Mulheres? Dinheiro? Jantares? Trabalho? Filhos? Voluntariado? Luxo? Valores? Catolicismo? Mãe? Prazer? Sexo? Forma física? Desporto? Carreira? Prazer imediato? Amigos?

Pensa, depois: pegando nisto que me faz feliz, quanto disso quero agora, quanto quero depois, e quanto quero de cada coisa?

Feita essa reflexao, pegas na informação de que falas e decides.

Muito da decisao tem risco, mas se souberes quanto de cada variável queres, decidir fica mais facil.

(ja agora: toda a vida é uma sucessao de momentos, portanto, em ultima analise, ha que ser feliz Agora, porque amanha podemos estar mortos)

Anónimo disse...

concordo com a tua observação, mas repara que após estes anos todos, ainda há tradições e costumes que sem mantêm, apesar de brandos é claro

Rita disse...

meu querido, estas no augeeeeeeee, com 24 anos!!!!!!! trabalhar tem as suas vantagens... pensa nisso... e diz-me o q concluiste : )

Rita disse...

catana? temos homem modesto...

xavier disse...

Zé,

para quem escreve mal, até não te exprimiste nada mal! vou voltar!

El-Gee disse...

Rita,

Por Deus.

Por Deus.

Rita disse...

pensa mas é q SO tens 24 anos. puto xarila macaco sem pila : P

Ele disse...

Desenvolves muito bem, sim!

Continua isto, se faz favor!

Eu venho cá!

Ele

Anónimo disse...

zé povinho

Eu acho que o problema da capitalização do esforço é um pau de dois bicos.

Deixa de ser bon vivant quando descobrires uma alternativa que te faça olhar para o teu tempo e dinheiro de maneira a veres, não simplesmente tempo gasto a ganhar dinheiro, mas sim dois instrumentos para atingir um fim que, na altura, te pareça mais legítimo do que o bon vivantismo. E as prioridades não se forçam, surgem. A ti resta-te geri-las.

Até lá... what’s the use in worrying? What’s the use in hurrying? Pois é: Dancing Nancies. Nem de propósito.

E sff pára de fazer bluff: o 1º parágrafo do teu 1º post é delicioso mas anda muito longe da verdade.

seabra disse...

Ze do Povo, escreve um pouco mais.

O público agradece.

seabra disse...

Vou insistir até que um dia voltes a escrever.

Nêspera disse...

Sim, vou voltar a escrever.
Está para breve meu fiel amigo.

seabra disse...

Cá estarei para ler.